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Direito condominial em São Paulo: riscos, conflitos e oportunidades — Tomorrow Talks #03

O brasileiro vive, cada vez mais, em condomínio. E, especialmente em São Paulo, isso significa lidar com regras, conflitos, segurança, finanças, short stay, boom de estúdios e decisões que mexem diretamente com patrimônio.

No Tomorrow Talks #03, Bruno Bettega e João Pedro Morais recebem o advogado Felipe Clasen para uma conversa direta sobre direito condominial em São Paulo – com foco em síndicos, conselheiros, investidores e moradores que querem entender melhor seus direitos, deveres e riscos.

Quem é Felipe Clasen e por que ele entende tanto de condomínio

Nosso convidado é o advogado Felipe Clasen, especialista em:

  • Direito condominial
  • Direito administrativo, contratos públicos e licitações
  • Resolução de conflitos e soluções extrajudiciais

A trajetória dele é curiosa: antes de estruturar o escritório Clasen Diogo Advocacia, especializado em direito condominial, Felipe se tornou síndico orgânico do próprio condomínio em 2016, no meio de um verdadeiro caos:

  • condomínio sem caixa
  • dívidas trabalhistas
  • problemas com construtora
  • questões de regularização e gestão

Na prática: ele uniu vivência real de síndico + formação jurídica, o que hoje o coloca como referência em gestão condominial moderna, transparente e técnica.


O papel do advogado condominial: seguro, não apenas “bombeiro”

Um dos pontos centrais do episódio é o papel do advogado especializado em direito condominial.

Na maioria dos condomínios, o jurídico só é chamado quando:

  • o conflito já explodiu
  • o processo já está andando
  • o prejuízo já aconteceu

Felipe faz uma analogia simples: advogado de condomínio é como seguro. Ele existe para:

  • prevenir problemas, e não apenas “apagar incêndios”
  • orientar o síndico em decisões sensíveis
  • reduzir riscos civis e criminais
  • apoiar o conselho na análise de contratos, contas e assembleias

Quando o advogado participa da gestão contínua, o condomínio tende a:

  • registrar menos processos
  • tomar decisões mais técnicas
  • ter segurança jurídica em atas, notificações, advertências e multas

Condomínio é uma microcidade — e assembleia não é “perda de tempo”

Um ponto forte da conversa é a visão de que condomínio é uma microcidade:

  • centenas ou até milhares de pessoas convivendo 24h por dia
  • regras próprias (convenção, regulamento interno)
  • decisões coletivas que impactam patrimônio e qualidade de vida

Mesmo assim, a maioria dos moradores não participa das assembleias. Só aparece quando:

  • tem sorteio de vaga de garagem
  • aumento de condomínio
  • taxa extra ou rateio emergencial

O episódio reforça:

  • quem não participa de assembleia, abre mão de opinar
  • reclamar depois nas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp não substitui presença e voto
  • assembleia é o momento de discutir:
    • uso de áreas comuns
    • obras e melhorias
    • mudanças em regulamento interno
    • transparência das contas

Para síndicos e conselhos, fica o recado: participação ativa da comunidade reduz litígios, boatos e atritos diários.


Convenção x regulamento interno: o que cada um manda

Outro trecho importante do episódio é a diferença entre:

Convenção de condomínio

É o “Código Civil” daquela microcidade. Define:

  • se o condomínio é residencial, comercial ou misto
  • poderes e limites do síndico
  • quóruns para decisões
  • regras sobre uso, locação, destinação e assembleias
  • teto de gastos sem aprovação em assembleia

Mudar a convenção é burocrático e costuma exigir quórum qualificado (ex.: 2/3 dos condôminos). Por isso, muitas convenções são antigas e não refletem a realidade atual.

Regulamento interno

É o “decreto do dia a dia”. Define rotina e convivência:

  • horários e regras para lixo
  • uso de academia, salão de festas, piscina
  • circulação em áreas comuns
  • diretrizes mais práticas do cotidiano

Alterar o regulamento interno é mais simples (geralmente maioria simples em assembleia), e por isso ele é o caminho mais rápido para adaptar o condomínio à realidade atual.


Condomínio antissocial: quando dá para afastar um morador

Um tema polêmico do episódio é o condômino antissocial.

Não se trata de um “vizinho chato” apenas, mas de quem:

  • coloca a coletividade em risco
  • gera transtorno permanente
  • repete condutas graves, mesmo advertido e multado

Exemplos citados:

  • perseguições e assédio dentro do condomínio
  • comportamentos agressivos, humilhantes ou ameaçadores
  • atos que ferem a dignidade de outros moradores de forma reiterada

Hoje já existe entendimento judicial permitindo:

  • manter a propriedade do imóvel, mas
  • retirar o direito de convivência naquele espaço — ou seja, a pessoa não pode mais morar lá

Para isso, é fundamental:

  • registrar tudo por escrito
  • fazer atas, advertências e multas bem estruturadas
  • envolver advogado especializado e, quando necessário, polícia

Inadimplência: o condomínio pode tomar o imóvel?

Outro ponto sensível: inadimplência de taxa condominial.

O episódio diferencia:

  • quem está passando por um momento difícil
  • do inadimplente contumaz, que não paga condomínio, mas troca de carro, faz festa etc.

Alguns pontos-chave:

  • a dívida condominial pode levar o imóvel a leilão
  • dívida de condomínio não é protegida como “bem de família”
  • a cobrança pode ser rápida, com execução e penhora do imóvel
  • quanto mais cedo o condomínio age, maior a chance de receber

Se o apartamento for a leilão:

  • quita-se a dívida condominial
  • paga-se o que há de pendência com banco (se financiado)
  • eventual saldo restante volta ao proprietário devedor

Para síndicos e conselhos, a mensagem é clara: deixar a inadimplência “correr solta” compromete o caixa, a manutenção e a segurança do condomínio.


Portaria remota x portaria física: custo, cultura e segurança

Portaria remota é um tema que sempre gera debate — e o episódio entra fundo nessa discussão:

Vantagens que aparecem:

  • redução significativa de custo de folha (ex.: de ~R$ 30 mil para ~R$ 7 mil)
  • menor risco de o porteiro ser rendido fisicamente
  • menos exposição da equipe a rotinas perigosas

Desafios:

  • adaptação de moradores (especialmente idosos)
  • gestão de correspondências, mercadorias e deliveries
  • sensação de segurança x percepção de vulnerabilidade

Independentemente do modelo, o episódio reforça:

  • segurança é responsabilidade compartilhada
  • moradores precisam:
    • esperar portão fechar
    • não liberar desconhecidos na “gaiola”
    • seguir orientações de acesso
  • sem cultura de segurança, nem portaria física, nem remota resolve 100%

Airbnb, short stay e o boom dos estúdios em São Paulo

São Paulo vive um boom de estúdios de 20–30 m² usados para locação de curta temporada (Airbnb e similares). Isso abre uma discussão jurídica importante:

Ponto principal decidido pelo STJ:

Condomínio estritamente residencial não pode ser transformado, por vontade individual, em empreendimento de locação tipo hotel / short stay.

Em resumo:

  • se a convenção disser que o condomínio é estritamente residencial, a locação por curtíssima temporada com alta rotatividade pode ser considerada incompatível com essa destinação
  • se a convenção prevê uso misto ou permite expressamente plataformas de locação por temporada, o cenário é outro

Para quem quer investir em estúdios para Airbnb, o recado é direto:

  • não confie só em promessa de corretor
  • peça e leia:
    • Especificação de condomínio
    • Convenção condominial
  • verifique se:
    • o condomínio é residencial, misto ou comercial
    • há cláusula clara permitindo (ou proibindo) curta temporada

Alterar a convenção depois é possível, mas extremamente difícil, e em alguns casos fere direitos de quem comprou imaginando destinação residencial.


Responsabilidade do síndico e do conselho: não é só “título bonito”

O episódio também entra na parte mais “jurídica pesada”: responsabilidade do síndico e do conselho.

  • Síndico
    • responde civil e, em certas situações, criminalmente
    • administra milhões em caixa em grandes condomínios
    • assina contratos, autoriza obras, demite, contrata
    • se agir com desvio, apropriação indevida ou má-fé, pode ser responsabilizado diretamente
  • Conselho fiscal / consultivo
    • muita gente entra achando que é “só um cargo decorativo”, mas não é
    • tem obrigação de fiscalizar, pedir esclarecimentos, aprovar ou reprovar contas
    • se souber de irregularidades, fingir que não viu e ainda assim aprovar, pode ser considerado cúmplice por omissão

Mensagem final do trecho:

Se você quer ser síndico ou conselheiro, faça com consciência: é serviço para a coletividade, mas também traz responsabilidades reais.


Checklist rápido para quem quer investir em estúdios em São Paulo

O episódio termina com uma baita dica prática para quem está pensando em comprar estúdios para locação:

Antes de assinar qualquer contrato:

  1. Peça a especificação de condomínio
  2. Peça a convenção condominial já prevista para o empreendimento
  3. Verifique:
    • destinação: residencial, comercial ou mista
    • se existe cláusula permitindo locação de curta temporada / plataformas digitais
  4. Avalie se faz sentido conviver em prédio misto (moradores fixos + rotatividade alta)
  5. Se o objetivo for só morar, questione se você quer viver em um “prédio-hotel”
  6. Se a proposta for “a gente muda isso na assembleia depois”, fuja.

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Se você:

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🎙️ Participantes deste episódio:

🎯 Bruno Bettega — CEO da Tomorrow Agency

💼 João Pedro Morais — CFO da Tomorrow Agency

⚖️ Felipe Clasen Diogo — advogado especializado em direito condominial e gestão de conflitos.


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